Se você trabalha com integração bancária — emissão de boletos, baixas, conciliação — mais cedo ou mais tarde esbarra em um arquivo CNAB 240. Ele parece um monte de números indecifráveis, mas tem uma lógica bem definida. Este guia explica o formato — e você pode abrir um arquivo e ver os campos no visualizador de CNAB 240.
O que é o CNAB 240
CNAB é a sigla de Centro Nacional de Automação Bancária. O CNAB 240 é um padrão da FEBRABAN para a troca de arquivos entre empresas e bancos, em que cada linha (registro) tem exatamente 240 caracteres. É o formato mais usado hoje para cobrança bancária: registrar boletos, receber a confirmação de pagamentos e processar baixas.
Remessa e retorno
O fluxo tem dois sentidos:
- Remessa: o arquivo que a empresa envia ao banco, com instruções — registrar novos boletos, pedir baixa, prorrogar vencimento;
- Retorno: o arquivo que o banco devolve à empresa, informando o que aconteceu — títulos pagos, baixados, rejeitados, com valores e datas.
O próprio arquivo indica se é remessa ou retorno em um campo do seu cabeçalho.
A estrutura em camadas
Um arquivo CNAB 240 é organizado de forma hierárquica, identificada pelo tipo de registro (um número no início de cada linha):
- Header de Arquivo (tipo 0): abre o arquivo, com dados do banco e da empresa;
- Header de Lote (tipo 1): abre um lote de serviço (por exemplo, cobrança);
- Detalhes (tipo 3): os registros de cada título, divididos em segmentos;
- Trailer de Lote (tipo 5): fecha o lote, com totais;
- Trailer de Arquivo (tipo 9): fecha o arquivo.
Os segmentos
Dentro dos detalhes, cada segmento carrega um tipo de informação, identificado por uma letra na posição 14 da linha. Na cobrança, os mais comuns são:
- Segmento P: os dados do título — nosso número, vencimento, valor, carteira;
- Segmento Q: os dados do pagador — nome, CPF/CNPJ, endereço;
- Segmento R: informações complementares, como desconto, multa e juros.
No arquivo de retorno aparecem outros segmentos, como o T e o U, que trazem as ocorrências e os valores efetivamente pagos.
Cada campo tem uma posição fixa
A grande característica do CNAB é que os campos são posicionais: cada informação ocupa um intervalo exato de caracteres. Por exemplo, as posições 1 a 3 sempre trazem o código do banco, e a posição 8 indica o tipo de registro. É por isso que um único caractere fora do lugar quebra a leitura do arquivo inteiro.
Por que cada banco é diferente
Embora a FEBRABAN defina um padrão, na prática cada banco tem variações nas posições e nos códigos de alguns campos. Um arquivo do Itaú não é idêntico a um do Bradesco ou da Caixa. Por isso, ao desenvolver uma integração, é essencial usar o manual do banco específico com o qual você troca arquivos.
Como abrir e analisar um arquivo CNAB
Ler um CNAB 240 contando caracteres na mão é tortura. Use o visualizador de CNAB 240: cole o conteúdo ou abra o arquivo e a ferramenta identifica cada registro e mostra os campos com posição e valor, para Itaú, Bradesco, Banco do Brasil, Santander e Caixa. Tudo é processado no seu navegador, sem enviar o arquivo para lugar nenhum — ideal para depurar integrações com segurança.