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07/08/2026 · 6 min de leitura

O que é CNAB 240: entenda o arquivo de cobrança dos bancos

Guia do arquivo CNAB 240: o que é, a diferença entre remessa e retorno, a estrutura em header, lotes, segmentos e trailers, e por que cada banco tem variações.

Por Daniel Srougi · Atualizado em 07/08/2026.

Se você trabalha com integração bancária — emissão de boletos, baixas, conciliação — mais cedo ou mais tarde esbarra em um arquivo CNAB 240. Ele parece um monte de números indecifráveis, mas tem uma lógica bem definida. Este guia explica o formato — e você pode abrir um arquivo e ver os campos no visualizador de CNAB 240.

O que é o CNAB 240

CNAB é a sigla de Centro Nacional de Automação Bancária. O CNAB 240 é um padrão da FEBRABAN para a troca de arquivos entre empresas e bancos, em que cada linha (registro) tem exatamente 240 caracteres. É o formato mais usado hoje para cobrança bancária: registrar boletos, receber a confirmação de pagamentos e processar baixas.

Remessa e retorno

O fluxo tem dois sentidos:

  • Remessa: o arquivo que a empresa envia ao banco, com instruções — registrar novos boletos, pedir baixa, prorrogar vencimento;
  • Retorno: o arquivo que o banco devolve à empresa, informando o que aconteceu — títulos pagos, baixados, rejeitados, com valores e datas.

O próprio arquivo indica se é remessa ou retorno em um campo do seu cabeçalho.

A estrutura em camadas

Um arquivo CNAB 240 é organizado de forma hierárquica, identificada pelo tipo de registro (um número no início de cada linha):

  • Header de Arquivo (tipo 0): abre o arquivo, com dados do banco e da empresa;
  • Header de Lote (tipo 1): abre um lote de serviço (por exemplo, cobrança);
  • Detalhes (tipo 3): os registros de cada título, divididos em segmentos;
  • Trailer de Lote (tipo 5): fecha o lote, com totais;
  • Trailer de Arquivo (tipo 9): fecha o arquivo.

Os segmentos

Dentro dos detalhes, cada segmento carrega um tipo de informação, identificado por uma letra na posição 14 da linha. Na cobrança, os mais comuns são:

  • Segmento P: os dados do título — nosso número, vencimento, valor, carteira;
  • Segmento Q: os dados do pagador — nome, CPF/CNPJ, endereço;
  • Segmento R: informações complementares, como desconto, multa e juros.

No arquivo de retorno aparecem outros segmentos, como o T e o U, que trazem as ocorrências e os valores efetivamente pagos.

Cada campo tem uma posição fixa

A grande característica do CNAB é que os campos são posicionais: cada informação ocupa um intervalo exato de caracteres. Por exemplo, as posições 1 a 3 sempre trazem o código do banco, e a posição 8 indica o tipo de registro. É por isso que um único caractere fora do lugar quebra a leitura do arquivo inteiro.

Por que cada banco é diferente

Embora a FEBRABAN defina um padrão, na prática cada banco tem variações nas posições e nos códigos de alguns campos. Um arquivo do Itaú não é idêntico a um do Bradesco ou da Caixa. Por isso, ao desenvolver uma integração, é essencial usar o manual do banco específico com o qual você troca arquivos.

Como abrir e analisar um arquivo CNAB

Ler um CNAB 240 contando caracteres na mão é tortura. Use o visualizador de CNAB 240: cole o conteúdo ou abra o arquivo e a ferramenta identifica cada registro e mostra os campos com posição e valor, para Itaú, Bradesco, Banco do Brasil, Santander e Caixa. Tudo é processado no seu navegador, sem enviar o arquivo para lugar nenhum — ideal para depurar integrações com segurança.

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